Na aldeia onde eu nasci havia uma familia que possuia uma grande propriedade onde,além duma bela casa, muito bem cuidada, criavam animais que faziam parte
do consumo annual da sua alimentação e entre eles a criação de coelhos era muito
importante.
Um dia o pai dessa familia chamou por mim e qual não foi o meu espanto quando
ele me ofereceu um coelhinho muito branco. Delirante de alegria corri para casa com
o meu coelho nos braços ansioso para chegar e pedir ao meu pai para fazer uma casa
de madeira para criá-lo.Meu pai, comovido pela minha alegria, deitou mãos à obra,
porque ele era carpinteiro de profissão, não levando muito tempo para que a nova casa
do meu coelho ficasse construida.
No mundo não havia nada que tanto valor tivesse para mim como aquele coelho.Todo
o tempo que me restava, depois de voltar da escola e cumprir com os afazeres que me
eram destinados, era passado junto da casinhola a tartar dele.
Como ele era por mim muito bem cuidado cresceu rapidamente a ponto de me sentir
orgulhoso de ter um coelho grande e muito mansinho a ponto de convidar os meus amigos e amigas de escola a virem vê-lo e brincar com ele. Na propriedade onde estava
situada a nossa casa, além de um terreno cultivado de vinha, havia uma horta onde o
meu pai cultivava hortaliças e legumes todo o ano. Era nela que eu, tirando o coelho da
sua casota, o soltava para ele se alimentar livremente. Assim ele foi-se habituando àquela
maneira de se alimentar correndo na horta como e quando queria sem nunca de lá fugir
ou causar quaisquer problemas quando chegava à hora de regressar à sua coelheira.
Passaram-se semanas e meses naquele são conviver entre mim e o coelho de quem eu
mais-gostava dia após dia..Como tudo na vida não é só alegria e felicidade a tristeza e
alguns dissabores também fazem parte do dia a dia da nossa existência.
Para confirmar esta realidade um certo dia, ao regressar da escola, notei que a porta da
coelheira estava aberta e o meu coelho branco não se encontrva lá dentro. Corri a horta
de lés a lés à sua procura pensando que alguém, talvez minha mãe, o tivesse solto para
ele ir comer
Como não o encontrei corri para casa a perguntar à minha mãe se ela tinha solto o coelho
ou se alguém o teria levado porque a coelheira estava aberta e já o tinha procurado
percorrendo a horta toda sem o encontrar.Minha mãe comovida com a minha ansiedade
e tristeza chamou-me para junto de si e encostando a minha cabeça ao seu peito tentou
consolar-me com palavras camufladas por um certo desconforto dizendo que Deus tinha
criado os animais para servirem o ser humano cada um da sua maneira, servindo uns para dar alegria e ajudar os homens nos seus trabalhos, outros protegiam os seus donos e a maior parte deles, além dos serviços..que prestavam, serviam para alimento, com a sua carne,a qual era usada em diferentes guisados conforme o seu paladar e entre os animais
que eram usados como alimento, encontravam-se os coelhos.
Quando minha mãe mencionou o nome de coelho as lágrimas brotaram dos meus olhos
como rios em catadupa porque foi naquele preciso momento que eu compreendi que o
meu coelho já não estava vivo e que iria server de manjar para toda a familia.
Grande foi minha dor e tristeza que sempre chorei, mesmo até no dia seguinte, quando todos se encontravam sentados à mesa saboreando o meu coelho, eu continuava a chorar
e sem coragem ou apetite para comer o meu coelhinho branco de quem eu tanto gostava.
terça-feira, 24 de março de 2009
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