terça-feira, 24 de março de 2009

O COELHO BRANCO

Na aldeia onde eu nasci havia uma familia que possuia uma grande propriedade onde,além duma bela casa, muito bem cuidada, criavam animais que faziam parte
do consumo annual da sua alimentação e entre eles a criação de coelhos era muito
importante.
Um dia o pai dessa familia chamou por mim e qual não foi o meu espanto quando
ele me ofereceu um coelhinho muito branco. Delirante de alegria corri para casa com
o meu coelho nos braços ansioso para chegar e pedir ao meu pai para fazer uma casa
de madeira para criá-lo.Meu pai, comovido pela minha alegria, deitou mãos à obra,
porque ele era carpinteiro de profissão, não levando muito tempo para que a nova casa
do meu coelho ficasse construida.
No mundo não havia nada que tanto valor tivesse para mim como aquele coelho.Todo
o tempo que me restava, depois de voltar da escola e cumprir com os afazeres que me
eram destinados, era passado junto da casinhola a tartar dele.
Como ele era por mim muito bem cuidado cresceu rapidamente a ponto de me sentir
orgulhoso de ter um coelho grande e muito mansinho a ponto de convidar os meus amigos e amigas de escola a virem vê-lo e brincar com ele. Na propriedade onde estava
situada a nossa casa, além de um terreno cultivado de vinha, havia uma horta onde o
meu pai cultivava hortaliças e legumes todo o ano. Era nela que eu, tirando o coelho da
sua casota, o soltava para ele se alimentar livremente. Assim ele foi-se habituando àquela
maneira de se alimentar correndo na horta como e quando queria sem nunca de lá fugir
ou causar quaisquer problemas quando chegava à hora de regressar à sua coelheira.
Passaram-se semanas e meses naquele são conviver entre mim e o coelho de quem eu
mais-gostava dia após dia..Como tudo na vida não é só alegria e felicidade a tristeza e
alguns dissabores também fazem parte do dia a dia da nossa existência.
Para confirmar esta realidade um certo dia, ao regressar da escola, notei que a porta da
coelheira estava aberta e o meu coelho branco não se encontrva lá dentro. Corri a horta
de lés a lés à sua procura pensando que alguém, talvez minha mãe, o tivesse solto para
ele ir comer
Como não o encontrei corri para casa a perguntar à minha mãe se ela tinha solto o coelho
ou se alguém o teria levado porque a coelheira estava aberta e já o tinha procurado
percorrendo a horta toda sem o encontrar.Minha mãe comovida com a minha ansiedade
e tristeza chamou-me para junto de si e encostando a minha cabeça ao seu peito tentou
consolar-me com palavras camufladas por um certo desconforto dizendo que Deus tinha
criado os animais para servirem o ser humano cada um da sua maneira, servindo uns para dar alegria e ajudar os homens nos seus trabalhos, outros protegiam os seus donos e a maior parte deles, além dos serviços..que prestavam, serviam para alimento, com a sua carne,a qual era usada em diferentes guisados conforme o seu paladar e entre os animais
que eram usados como alimento, encontravam-se os coelhos.
Quando minha mãe mencionou o nome de coelho as lágrimas brotaram dos meus olhos
como rios em catadupa porque foi naquele preciso momento que eu compreendi que o
meu coelho já não estava vivo e que iria server de manjar para toda a familia.
Grande foi minha dor e tristeza que sempre chorei, mesmo até no dia seguinte, quando todos se encontravam sentados à mesa saboreando o meu coelho, eu continuava a chorar
e sem coragem ou apetite para comer o meu coelhinho branco de quem eu tanto gostava.

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