Eu ia amiúde para casa de minha avó onde passava uma grande parte do dia sentado num pequeno muro de pedra que alí existia e que muitas vezes servia como assento de descanso para minha avó, admirando uma borboleta, fascinado pelas suas cores e pelo
seu saltitante vaivém de flor em flor,beijando uma poisando noutra até que,adevinhando
estar na hora de partir, lá ia ela à procura do seu ninho para pernoitar até ao raiar de novo dia. Aquela borboleta toda matizada das mais lindas e variadas cores muito gostava das
flores que minha avó cultivava no jardim em redor da sua casa,e eu pensava que ela
sentia uma especial atracção por aquelas flores porque todas as primaveras, quando elas
começavam a desabrochar, lá vinha a borboleta, que eu chamava matizada.passar os seus
dias no meio delas..
Assim que o sol, brilhando no alto firmamento, irradiava sobre a terra o seu calor a
borboleta voltava ao seu jardim predilecto, onde eu já a esperava ansiosamente,
sentado no mesmo muro, para admirar enlevado as lindas cores das suas asas.Passava
horas ali sentado, com os olhos fixos naquela borboleta e talvez por essa razão a minha
avó,viuva de meu avô António, sendo por isso conhecida por tia Antonica,cultivava
sempre as mesmas qualidades de flores para que a borboleta voltasse todos os anos ao
seu jardim. Eram malmequeres, jasmins, amor-perfeitos, dálias e outras mais que aquela
velhinha, de quem eu tanto gostava, tinha o gosto e o prazer de cultivar sendo o seu melhor passatempo as horas que despendia cuidando das suas flores.
A minha avó sentia-se muito lisonjeada quando alguém, ao passar, lhe dizia, lindas flores
tem a tia Antonica , que rico perfume elas exalam e como gosta delas aquela borboleta
tão linda!
BORBOLETA
O matiz da tua cor
Com que nasces enfeitada
Quem te o dá é a flor
Quando por ti é beijada
As tuas cores são belas
De muitos tons variadas
Lembram lindas aguarelas
Em ricas telas pintadas
Borboleta meu encanto
Não me deixes ficar só
Sentado neste recanto
Do jardim de minha Avó
Fica comigo, vem cá,
Poisa aqui na minha mão
Não te vás embora tão já
Olha que me entristece o coração
terça-feira, 24 de março de 2009
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